O período pré-natal é um período de descoberta, idealização, sonho e expectativa. Durante este período temos a oportunidade de conhecermos as pessoas por trás dos pais, antes do nascimento do seu bebé. Esta é uma ocasião favorável ao estabelecimento de uma aliança, demarcando o nosso papel como parte do seu sistema de suporte. É também um período caracterizado por algumas dúvidas, receios e também por sonhos que levam a questões frequentes, “como será o meu bebé?”, “será o meu bebé forte e saudável?”, “sonhei que o meu bebé tinha pernas e pés enormes, fiquei angustiada”, “serei um (a) bom/a pai/mãe?”. Estamos perante uma fase de expectativa e idealização, o bebé imaginado. Aquando o nascimento, surgem as primeiras preocupações parentais que passam pelo estado de saúde do(s) seu(s) filho(s). Os pais precisam de saber que o seu filho se encontra bem de saúde, é saudável.
É na descoberta das características de cada bebé, o género, a cor, o temperamento etc, que os pais atribuem significado e começam a substituir a imagem criada, os filhos idealizados na sua imaginação, pelo bebé real que nasceu.
E se este período da vida está recheado de novos e constantes desafios, no paradigma de que 1+1=3 e no que isso implica na rotina familiar, como será para os pais de bebés que nascem prematuros?
O impacto que a prematuridade terá no desenvolvimento de cada bebé, constitui uma preocupação, uma vez que muitos órgãos e sistemas organicos estão subdesenvolvidos ou pouco amadurecidos. O recém-nascido prematuro pode ter dificuldade em respirar e alimentar-se e está suscetível a hemorragias cerebrais, infeções e outros problemas.
Vários estudos, apontam que podem ocorrer problemas no desenvolvimento do bebé prematuro, nomeadamente, imaturidade pulmonar, deficiências auditivas, visuais, perturbações neurológicas, paralisia cerebral, dificuldades sensoriais e dificuldades de aprendizagem. No domínio psicológico podemos encontrar bebés com menos competências sociais e comunicativas, facto este que compromete a própria vinculação. Existe um risco acrescido no desenvolvimento do bebé prematuro (quanto mais prematuro e com menor peso nascer o bebé, maior é esse risco = imaturidade), mas não podemos, contudo, considerar linear que a prematuridade comprometa necessariamente o desenvolvimento da criança ao longo da sua trajetória de vida.
Existem outras variáveis que contribuem e desempenham um papel determinante para o agravamento ou minimização das condições adversas, nomeadamente a assistência médica, as condições familiares, o contexto e o acompanhamento dado à criança durante o seu desenvolvimento. A deteção e acompanhamento precoce e detalhado dos problemas relacionados com o recém-nascido prematuro e de risco, podem minimizar potenciais problemas e sequelas. Assim, o recém-nascido prematuro e a sua família deverão ser acompanhados por uma equipa multidisciplinar constituída por um Neonatologista, Pediatra do Desenvolvimento, Nutricionista, Terapeuta da Fala, Psicólogo, Terapeuta Ocupacional e Fisioterapeuta que trabalham em conjunto e articulam entre si e com as famílias todo o plano de diagnóstico e intervenção nos recém-nascidos de risco acrescido.
A parentalidade, assume-se como uma tarefa exigente, que envolve um conjunto de adaptações e mudanças constantes, e por esse motivo, encontra-se por vezes associada a uma vivência geradora de algum stress. Quando associamos a parentalidade à imprevisibilidade de um nascimento prematuro e/ou ao internamento de um bebé, logo após o nascimento, o seu impacto quer físico, quer emocional aumenta de forma significativa.
Neste sentido a alta hospitalar é num momento de grande expectativa para a família, principalmente para aquela que deverá receber no seu meio o bebé prematuro, pois este, com suas peculiaridades, necessitará de um cuidado mais intenso, criando, nos pais, preocupações na competência de cuidar. Cabe à equipa de saúde e rede familiar, nesse momento, estar preparada, organizada e competente para auxiliar no processo de transição em que os pais se encontram, orientando-os na responsabilidade e dedicação frente ao estado de saúde do bebé.
Os pais de crianças prematuras são considerados população de risco, por apresentarem dificuldades em cuidar deles, necessitando de apoio durante o internamento e mesmo após a alta hospitalar. Esse apoio, após alta, poucas vezes é disponibilizado e os pais sentem-se desamparados, ansiosos, com medo, angustiados e com receio de enfrentar esta nova etapa. No pós-parto e ao longo do desen-volvimento da criança, é igualmente importante um acompanhamento por parte de pediatras e técnicos (psicólogos e terapeutas da fala), no sentido de detetar situações que careçam de avaliação e apoio, tanto à criança como aos pais.
Em Portugal, normalmente as crianças são acom-panhadas por uma consulta de desenvolvimento, mas visto que este pode apresentar riscos, é necessário haver um acompanhamento não só das crianças como também das respetivas famílias, com vista a esclarecer dúvidas e fazer compreender esse desenvolvimento, melhorando assim o seu nível de informação e formação sobre temáticas relacionadas com a saúde, desenvolvimento e aprendizagem do seu filho.
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